Na última década, muito tem se falado em como diminuir os gases poluentes provenientes de motores a combustão interna (MCI), sejam eles de ciclo Otto ou Diesel. Nesse cenário, também se incluem as emissões de materiais particulados, especialmente provenientes de motores movidos a diesel.
Com intuito de diminuir a quantidade de partículas sólidas emitidas na atmosfera, o PROCONVE (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores) determinou que todos os veículos com propulsão a diesel comercializados no Brasil deveriam sair com filtro de partículas de fábrica, denominado de DPF (Diesel Particulate Filter). Mas o que é o filtro de partículas diesel, como identificar sua eficiência e quando devemos substituí-lo? Essas e outras dúvidas serão esclarecidas neste artigo.
Funcionamento e características
Ao observar caminhões, vans ou até mesmo caminhonetes com fabricação anterior a 2012, é comum notar que esses veículos, em acelerações ou em casos extremos até mesmo em marcha lenta, liberam na atmosfera uma fumaça espessa de tonalidade escura. Esse é o material particulado gerado no processo de combustão do motor.
O material particulado é composto de sulfatos, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, metais pesados e nitratos, que podem ocasionar diversos problemas à saúde. Mas como o filtro de partículas ajuda a diminuir a emissão desse material? Para entender isso, precisamos conhecer sua construção.
O filtro DPF é cerâmico, geralmente de cordierita ou carbeto de silício, pois esses materiais suportam altas temperaturas e possuem boa resistência mecânica. Ele não é maciço, até porquê se faz necessário ter vazão dos gases provenientes da combustão do motor.
No interior da cerâmica possui uma estrutura porosa. Por essas porosidades que as partículas menores atravessam e chegam a atmosfera, enquanto as partículas maiores, aquelas responsáveis pela fumaça escura, são retidas internamente no filtro e queimadas depois no processo de regeneração, onde iremos explicar adiante.
Como as partículas maiores são retidas no filtro, com o tempo elas podem causar o entupimento do DPF. E como o módulo que gerencia o motor detecta que o filtro está entupido e precisa ser limpo? Para isso, existe um componente denominado sensor de pressão diferencial.
O sensor de pressão diferencial, também conhecido como EGPS (Sensor de Pressão dos Gases do Escapamento), foi desenvolvido para indicar ao módulo de controle do motor o momento adequado para realizar a regeneração do filtro DPF. O sensor é constituído de duas tubulações, uma conectada à entrada do filtro e outra à saída. O EGPS trabalha com a diferença de pressão entre esses dois pontos.
Quando o sensor detecta acúmulo de fuligem dentro do filtro, ele envia um sinal ao módulo indicando a necessidade de regeneração. Mas o que é esse processo?
A regeneração do filtro de partículas é sua auto limpeza. Como o material particulado maior fica retido, é necessário realizar a quebra desse particulado em partículas menores, a fim de desobstruir o DPF. Esse processo pode ser passivo ou ativo.
Regeneração
A regeneração passiva ocorre quando o próprio veículo realiza o processo de limpeza do filtro DPF. Ela acontece quando o motor está em funcionamento contínuo, normalmente em rodovias, onde o veículo atinge velocidade constante por um longo período de tempo. Nesse momento, o módulo de controle modula o tempo de injeção para aumentar a temperatura na entrada do filtro DPF e assim conseguir fazer a limpeza do material particulado. Em média, esse processo ocorre entre 250 °C e 450 °C.
Já a regeneração ativa ocorre quando é necessário utilizar um scanner, visto que o nível de saturação do filtro de partículas se elevou tanto que a regeneração passiva não foi suficiente. A regeneração ativa, também conhecida como forçada, é realizada quando o nível de saturação do filtro ultrapassa 60%. Normalmente, quando isso acontece, é indicado no painel do veículo por uma lâmpada de advertência.
Durante a regeneração ativa, o scanner se comunica com o módulo do veículo para iniciar o procedimento de limpeza. É essencial monitorar parâmetros como temperatura dos gases de escape antes e depois do DPF e a pressão diferencial do filtro.
Para ilustrar, tomemos como exemplo uma Mercedes Benz Sprinter 416, ano 2021. Conforme diagnóstico, verificou-se a necessidade de realizar a regeneração ativa, pois o veículo opera apenas em perímetro urbano e não atinge as condições necessárias para regeneração passiva. O painel indicava 86% de saturação do filtro, e o scanner KAPTOR V6 foi utilizado para executar o procedimento de forma segura.
Após conectar o scanner KAPTOR V6, selecionar a fabricante e o modelo, iremos acessar o sistema de injeção da Sprinter 416, ano 2021.
No menu principal, basta clicar em “Ajustes” e selecionar “Regeneração do DPF”.
O scanner KAPTOR V6 indicará os pré-requisitos para dar início a regeneração do filtro DPF, é fundamental segui-los, pois o procedimento pode falhar caso não sejam atendidos.
Após prosseguir, o scanner te retornará algumas informações importantes na tela, que serão mantidas durante todo o processo de regeneração. O intuito é deixar o reparador sempre informado e a par do que está ocorrendo no sistema durante o ajuste. Desta forma, basta clicar em “Ajustar”, assim o ajuste será iniciado.
O procedimento neste veículo, pode levar até 45 minutos e, ao finalizar, o scanner exibirá a mensagem “Ajuste realizado com sucesso”. O reparador poderá então verificar a redução da carga de fuligem no DPF, confirmando a limpeza.

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